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Pela manhã o sol não me permitia dormir... A cabeça estava pairando em um mundo paralelo, vagueando com enigmas desnecessários. Aqueles problemas que sabemos que nunca terão solução. Pensar, pensar, pensar e saber que os resultados de tantos pensamentos serão nulos. Será que pensar faz perder caloria? Pelo menos ficaria magérrima!
Infelizmente, acho que não! As gordurinhas extras continuarão sendo mais uma das responsáveis pelo vaguear dos meus pensamentos! Engraçado, o paradoxo é tamanho que: enquanto penso na fome que abala o mundo, por outro lado, pensando: Mas e aquele vestido... Será que ficará bem mesmo com esse peso?
A mente humana é capaz de idéias mirabolantes e extremamente inúteis. O grande segredo da felicidade seria a ausência total de pensamentos. Falaríamos a revelia. Sem pensar. Sem que a consciência nos deixasse mudar o rumo do assunto. Não haveria remorso no dizer e, tampouco, no agir. Afinal, sem pensamento só haveria a inconsciência, o prazer momentâneo...
Não haveriam lembranças. Não haveria nada além do agora. Contudo, seria estranha uma vida sem história. O que eu faria se estivesse em casa de bobeira? Não pensaria em nada! Socorro! Às vezes é tão bom pensar nos bons momentos...
Lembrar daquele abraço... Daquele beijo... Daquele olhar tímido de que não quer olhar ou daquele sorriso estampado na cara da pessoa amada. Ai ai... Lembrar! E lá se vão os pensamentos...
É... O que seria da vida sem eles. Não me refiro a eles homens, aqueles que estavam nos meus pensamentos a um segundo atrás, mas sim eles pensamentos... Enfim. O que seria de nós sem eles? Uma eterna felicidade esquecida. O prazer sem progresso. O sorriso superficial sem história. Nem ao menos eu conseguiria escrever o que escrevo agora, afinal, não teria pensado em nada, mas também não me martirizaria por nada.
No fundo, eu queria ter nascido na época em que fazer nada não era sinônimo de desocupação, mas sim de obrigação. Será que um dia existiu essa época? É, não sei! Uma época em que o tempo corresse mais devagar e que as pessoas poderiam ter tempo, também, para ser feliz.
Um tempo em que seria possível sentar debaixo de uma árvore numa tarde de um dia qualquer – um dia qualquer que não seja domingo, porque odeio domingos... Um tempo em que as horas se guiassem pelo sol e não pelo relógio com aquele tic-tac infinito... O tic-tac que me leva ao desespero de pensar que o tempo passa e as responsabilidades aumentam.
Viver na sociedade atual tem seus privilégios é claro. Temos a tecnologia. A comunicação momentânea. Temos o badalar das horas e, principalmente, aparelhos que nos distraem e diminuem o nosso serviço que só aumenta. Temos um mundo que prioriza a qualidade de vida, mas que, ao mesmo tempo, é poluído, cheio de produtos químicos... No passado as pessoas morriam bem mais facilmente, afinal, os avanços da medicina ainda não dominavam os consultórios. Hoje, não se morre nem cometendo suicídio eu acho.
Insistem em nos manter vivo. Manter pessoas que sofreram acidentes e que vegetam em camas de hospital. Doentes que sofrem mais em vida do que se houvessem morrido e, ao mesmo tempo, colocam também o extermínio da própria existência como crime. Será que prenderão o cadáver pós morte ou tentarão a ressucitação? Não sei!
O interessante é observar que com um mundo cada vez mais povoado vão ainda crescendo a vida de alguns em detrimento, muitas vezes, da própria vontade.
Mas... Sempre minha cabeça anuviada de idéias... Uma daquelas idéias que não levam ninguém a nada, mas que, também, não prejudicam quem as tem... Ou melhor, prejudicam porque fico perdendo energias com elas...
Enfim, por fim. É isto



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